As obras que integram o projeto O Nanquim de Marabá: Patrimônio e Memória na obra de Augusto e Pedro Morbach são resultados da curadoria realizada durante a pesquisa e catalogação do acervo da Pinacoteca Pedro Morbach, da Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM). As obras apresentadas neste projeto de Augusto Morbach foram produzidas no período de 1970 a 1980, e de Pedro Morbach correspondem ao período da produção do artista de 1980 a 1990. A curadoria buscou apresentar obras que dialoguem com a realidade da região de Carajás localizada entre os rios Tocantins e Itacaiúnas, que apresentam temáticas que versam sobre as festividades populares, a fauna e flora da região de Carajás, os aspectos religiosos da população local, os temas sociais relacionados ao homem do campo e suas condições de trabalho, o cotidiano da população ribeirinha e as lendas e mitos da região amazônica. A fim de possibilitar a acessibilidade dos deficientes visuais e portadores de baixa visão, estão sendo disponibilizados recursos de tecnologia assistiva em cada obra com os textos alternativos e áudio-descrição elaborados pela turma da Licenciatura em Artes Visuais de Canaã dos Carajás da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará – Unifesspa, possibilitando assim um diálogo amplo para todo público que acessar a plataforma. A equipe do projeto ressalta o compromisso da Fundação Casa da Cultura de Marabá em disponibilizar o acesso às obras dos artistas Augusto e Pedro Morbach para a realização deste projeto, bem como agradece o envolvimento de todos os participantes do projeto.
“De sorte que, trazendo do berço esse sonho, e não oferecendo uma oportunidade para vivê-lo em um centro cultural adiantado, como Belém - para não irmos mais longe - fiquei no mato, junto à Natureza. E fui barqueiro, e castanheiro: patrão também e até mesmo “perna de governo municipal”. Um vivente afinal na área da castanha, nos pedrais do rio, no descampado goiano, preservando sempre aquela tendência artística, lutando silenciosamente para transformá-la em realidade. Contei para tanto com a ajuda do meu mundo, a Natureza exuberante do meu vale imenso e verde, Tocantins - Araguaia. A gente ama profundamente os rios.”
Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).
“Olha, isso que eu faço não é nada mais, nada menos, que uma confissão. Registro o que vi na minha meninice de pés descalços e a beira-rio. A Amazônia me deu condições para pesquisar e investigar. Ganhei, lá, régua e compasso. Quero, agora, definir minhas formas e fôrmas: saber o que, no meu trabalho, vem a ser desperdício de material, de tinta e gasto de tempo.”
Pedro Morbach. (Reportagem “Amazônia Figurada”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de março de 1971).
“De estilo não entendo e isso jamais me preocupou. Se pode apontar algum, em meus trabalhos ditos de arte, ele resulta sem dúvida de um chocante contraste que me atingiu profundamente.”
Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).
“Quem mora em Belém ou São Paulo sabe dos problemas que o lavrador enfrenta para conseguir uma porção de terra. Mas não basta constatar isso, as pessoas precisam lutar contra a injustiça social em cada campo de trabalho, despertando a opinião pública sobre o assunto.”
Pedro Morbach. (Relato sobre a devastação na Amazônia, Jornal O Liberal, Belém, 24 de junho de 1987).
“Quando descobriu sua vocação para o desenho?
Vendo meu pai desenhar, para os filhos se divertirem. Quando ele não pôde um dia me atender, peguei um lápis e desenhei um animal que eu queria. E estava descoberta a pólvora.”
Augusto Morbach. (Entrevista ao jornal “A Província do Pará”, 17 de maio de 1976).
“A pintura faz parte da minha vida. Creio mesmo que eu antes de engatinhar já fazia alguns rabiscos no chão da minha trajetória. Hoje, embora não tenha seguido nem participado de nenhuma escola de artes, faço do meu trabalho um reviver das raízes culturais da minha região. Talvez a denúncia de todos esses crimes que estão sendo cometidos à sua ocupação irracional.”
Pedro Morbach. (Entrevista ao jornal Correio do Tocantins).
“O desenho me fascinou! Na beleza do corpo humano, esta criação plástica do Todo-Poderoso. Como disse, eu tinha o grande aliado para alimentar meu sonho: a Natureza. E aqui peço perdão para fazer citações (o que alguns consideram pecado, menos os incultos, como eu). Cito Shakespeare “A própria Arte é a Natureza”. Cito Zola “A Arte é a Natureza vista através de um temperamento”.
Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).
“Meu primeiro desenho foi de um camponês, eu devia ter uns seis anos. Porém, a imagem de seu perfil curvado e olhar triste ainda hoje é muito nítida em minha memória”.
Pedro Morbach.
“(...) O chão de onde vim é um chão de muita estória. Caucheiros, castanheiros e garimpeiros, barqueiros e sobretudo os pilotos do Tocantins, deixaram sagas maravilhosas que aos poucos se vão perdendo, porque aquela gleba e sua gente não resistirão à avalanche do progresso (...)”.
Augusto Morbach. (Entrevista ao jornal “A Província do Pará”, 17 de maio de 1976).
“Aprendi vendo a vida correr, com os pés no chão, observando o trote dos tropeiros, a garimpada funcionando solta (...). Nem clássicos, nem convencionais, muito menos acadêmicos: eu os quero (desenhos) simples, modestos, vitais, como eu e a angústia real que os motivou.”
Pedro Morbach. (Reportagem “Amazônia Figurada”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de março de 1971).
“De sorte que, trazendo do berço esse sonho, e não oferecendo uma oportunidade para vivê-lo em um centro cultural adiantado, como Belém - para não irmos mais longe - fiquei no mato, junto à Natureza. E fui barqueiro, e castanheiro: patrão também e até mesmo “perna de governo municipal”. Um vivente afinal na área da castanha, nos pedrais do rio, no descampado goiano, preservando sempre aquela tendência artística, lutando silenciosamente para transformá-la em realidade. Contei para tanto com a ajuda do meu mundo, a Natureza exuberante do meu vale imenso e verde, Tocantins - Araguaia. A gente ama profundamente os rios.”
Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).
“Olha, isso que eu faço não é nada mais, nada menos, que uma confissão. Registro o que vi na minha meninice de pés descalços e a beira-rio. A Amazônia me deu condições para pesquisar e investigar. Ganhei, lá, régua e compasso. Quero, agora, definir minhas formas e fôrmas: saber o que, no meu trabalho, vem a ser desperdício de material, de tinta e gasto de tempo.”
Pedro Morbach. (Reportagem “Amazônia Figurada”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de março de 1971).
“De estilo não entendo e isso jamais me preocupou. Se pode apontar algum, em meus trabalhos ditos de arte, ele resulta sem dúvida de um chocante contraste que me atingiu profundamente.”
Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).
“Quem mora em Belém ou São Paulo sabe dos problemas que o lavrador enfrenta para conseguir uma porção de terra. Mas não basta constatar isso, as pessoas precisam lutar contra a injustiça social em cada campo de trabalho, despertando a opinião pública sobre o assunto.”
Pedro Morbach. (Relato sobre a devastação na Amazônia, Jornal O Liberal, Belém, 24 de junho de 1987).
“Quando descobriu sua vocação para o desenho?
Vendo meu pai desenhar, para os filhos se divertirem. Quando ele não pôde um dia me atender, peguei um lápis e desenhei um animal que eu queria. E estava descoberta a pólvora.”
Augusto Morbach. (Entrevista ao jornal “A Província do Pará”, 17 de maio de 1976).
“A pintura faz parte da minha vida. Creio mesmo que eu antes de engatinhar já fazia alguns rabiscos no chão da minha trajetória. Hoje, embora não tenha seguido nem participado de nenhuma escola de artes, faço do meu trabalho um reviver das raízes culturais da minha região. Talvez a denúncia de todos esses crimes que estão sendo cometidos à sua ocupação irracional.”
Pedro Morbach. (Entrevista ao jornal Correio do Tocantins).
“O desenho me fascinou! Na beleza do corpo humano, esta criação plástica do Todo-Poderoso. Como disse, eu tinha o grande aliado para alimentar meu sonho: a Natureza. E aqui peço perdão para fazer citações (o que alguns consideram pecado, menos os incultos, como eu). Cito Shakespeare “A própria Arte é a Natureza”. Cito Zola “A Arte é a Natureza vista através de um temperamento”.
Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).
“Meu primeiro desenho foi de um camponês, eu devia ter uns seis anos. Porém, a imagem de seu perfil curvado e olhar triste ainda hoje é muito nítida em minha memória”.
Pedro Morbach.
“(...) O chão de onde vim é um chão de muita estória. Caucheiros, castanheiros e garimpeiros, barqueiros e sobretudo os pilotos do Tocantins, deixaram sagas maravilhosas que aos poucos se vão perdendo, porque aquela gleba e sua gente não resistirão à avalanche do progresso (...)”.
Augusto Morbach. (Entrevista ao jornal “A Província do Pará”, 17 de maio de 1976).
“Aprendi vendo a vida correr, com os pés no chão, observando o trote dos tropeiros, a garimpada funcionando solta (...). Nem clássicos, nem convencionais, muito menos acadêmicos: eu os quero (desenhos) simples, modestos, vitais, como eu e a angústia real que os motivou.”
Pedro Morbach. (Reportagem “Amazônia Figurada”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de março de 1971).
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onanquimdemaraba@gmail.com
Projeto desenvolvido através da Lei Federal no 14.017/20, do Edital Patrimônio Cultural Material – Lei Aldir Blanc Pará 2020
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta Nanquim e a técnica do Bico-de-pena nos tons preto e branco. Na obra Arara de Augusto Morbach vemos no centro do quadro uma Arara com o olhar voltado para trás. Ela pousa sob o galho de uma árvore e está rodeada de frutos e folhas.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta Nanquim e a técnica do Bico-de-Pena nos tons preto e branco. Na obra São Francisco de Augusto Morbach vemos São Francisco de Assis segurando o menino Jesus em seus braços. Acima de suas cabeças há pássaros voando, no canto inferior direito há galhos e sob esses galhos há mais pássaros.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta Nanquim e a técnica do Bico-de-Pena nos tons preto e branco. Na obra Divino Espírito Santo de Augusto Morbach vemos na parte superior um pássaro de asas abertas. Ao seu redor bandeirinhas enfileiradas em barbantes. Na parte inferior vemos um homem que segura o mastro em que pousa o pássaro. Ele está olhando para o alto e usa um chapéu na cabeça. No canto inferior esquerdo vemos o rosto de um homem de lado, e na parte inferior direita vemos as mãos do homem e seus dedos segurando o mastro.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta Nanquim e a técnica do Bico-de-Pena nos tons preto e branco. Na obra Boi Bumbá de Pedro Morbach, vemos uma mulher no lado esquerdo com adereços no corpo e um cocar na cabeça. No centro vemos um boi com bandeirinhas enfileiradas entre os chifres, e no lado direito vemos um homem vestindo uma túnica e um chapéu de couro na cabeça segurando um bastão com a mão direita.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta Nanquim e a técnica do Bico-de-Pena nos tons preto e branco. Na obra Barco de carregar castanha de Pedro Morbach vemos uma casa de palha dentro da floresta com muitas árvores e ampla vegetação, e quatro pessoas. Uma pessoa está dentro da casa, outra está carregando um cesto e a terceira está agachada próxima a margem do rio. No centro uma árvore e um barco onde se lê escrito Zé Leão. Dentro do barco vemos um homem descarregando castanha – do – Pará, e no lado inferior direito vemos o rio e o tronco de uma árvore ao chão.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta nanquim e a técnica do bico-de-pena nos tons preto e branco. Na obra O castanheiro de Pedro Morbach vemos uma floresta com muitas árvores e ampla vegetação. Ao centro um homem que coleta castanha – do – Pará com o corpo inclinado para frente. Ao seu redor vemos três troncos de árvores. Ele carrega um cesto pendurado pela testa e pelas mãos cruzadas, e apoiado em suas costas. Na parte inferior vemos plantas e rochas próximo ao solo.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta nanquim e a técnica do bico-de-pena nos tons preto e branco. Na obra Castanheiro com Malária de Pedro Morbach vemos uma floresta com muitas árvores e ampla vegetação. Do lado esquerdo um homem vestindo camisa e calça, sentado ao chão com o tronco curvado no meio da floresta. Seu rosto é triste e seu corpo é magro. Sua cabeça está baixa, seus braços estão cruzados. No lado direito vemos troncos de árvores e no canto inferior direito vemos seus pés descalços no chão de terra.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta Nanquim e a técnica do Bico – de – Pena nos tons preto e branco. Na obra O triste posseiro de Pedro Morbach vemos um terreno desmatado dentro da floresta e os galhos de uma árvore. Ao fundo, uma paisagem com copas de árvores, e no centro um homem sem camisa sentado ao chão encostado em um tronco de uma árvore. Seu rosto é triste e seu corpo é magro. O homem está descalço com a cabeça apoiada sobre a mão e joelho direito. O outro braço está apoiado sobre a coxa esquerda, e sua mão está pendurada sem atingir o chão. Na parte inferior vemos a sombra do homem e da árvore.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta Nanquim e a técnica do Bico- de – Pena nos tons preto e branco. Na obra O pescador de Pedro Morbach vemos uma floresta com muitas árvores, folhas de palmeiras e uma casa feita de palha na margem do rio. Ao centro, um pescador sentado dentro de uma canoa usando um chapéu. Ele segura um remo para navegar e dentro da canoa vemos um cesto e um saco. Na parte inferior vemos as águas do rio em movimento ao redor do barco.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta Nanquim e a técnica do Bico- de – Pena nos tons preto e branco. Na obra Descendo o rio de Pedro Morbach vemos ao centro uma embarcação a vapor. Na parte superior direita a fumaça saindo pela chaminé. À esquerda vemos pessoas dentro do barco. Ao centro próximo ao mastro um homem sentado acima da cabine, e à esquerda um homem em pé apoiado no mastro. Na parte inferior vemos linhas circulares e onduladas que formam os movimentos do rio ao redor do barco.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta Nanquim e a técnica do bico de pena nos tons preto e branco. Na obra Pescando com tarrafa de Pedro Morbach vemos na parte superior nuvens e pássaros no céu. Ao centro um homem em pé dentro de uma canoa de pequeno porte. Ele veste camisa, short e chapéu na cabeça e segura uma tarrafa nas mãos. Ao fundo da canoa vemos a margem do rio. Dentro da canoa há um balde, e na parte inferior vemos linhas circulares e onduladas formando os movimentos da água ao redor da canoa.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta Nanquim e a técnica do Bico-de-Pena nos tons preto e branco. Na obra A lavadeira de Pedro Morbach vemos na parte superior nuvens no céu. No centro vemos uma mulher agachada sobre uma rocha segurando um tecido. Ela tem cabelos soltos, usa um vestido e está descalça. Ao fundo vemos a margem do rio formada por uma vegetação. Na parte inferior ao redor da pedra em que a mulher está lavando roupa vemos linhas circulares e onduladas formando os movimentos da água.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta Nanquim e a técnica do Bico-de-Pena nos tons preto e branco. Na obra A namorada do boto de Pedro Morbach vemos ao lado superior esquerdo um galho com folhas de árvores. Na parte superior nuvens no céu. No centro vemos uma mulher nua de costas, passando as mãos nos cabelos soltos, sentada em uma rocha dentro do rio e ao fundo a margem do rio formada por uma vegetação. Na parte inferior ao redor da pedra em que a mulher está sentada vemos linhas circulares e onduladas formando os movimentos da água.
#paratodosverem Desenho produzido com a tinta Nanquim e a técnica do Bico-de-Pena nos tons preto e branco. Na obra O solitário castanheiro de Pedro Morbach vemos no fundo da imagem várias linhas verticais insinuando uma vegetação distante. Ao centro um homem carrega nas costas um cesto com tampa apoiado com a mão esquerda, e na mão direita segura uma ferramenta. Ele está descalço, e veste bermuda e camiseta. Atrás dele do lado esquerdo há um tronco de árvore, no canto inferior direito ha dois ouriços de castanha no chão.