Material Didático

O projeto O Nanquim de Marabá: Patrimônio e Memória na obra de Augusto e Pedro Morbach tem como proposta contribuir com o planejamento das aulas de Arte nas escolas a partir de temáticas que abordam a Arte Amazônica. Neste sentido foi elaborado um material educativo que está sendo disponibilizado de forma gratuita para download nesta plataforma, resultantes da produção didática elaborada pelo núcleo de estudantes da Licenciatura em Artes Visuais vinculados ao projeto Residência Pedagógica da Unifesspa – Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará dentro do subprojeto Estágio e docência no ensino de arte: possibilidades educativas no campo da educação.

Augusto e Pedro Morbach são precursores do movimento artístico que ficou conhecido na região sudeste do Pará como Nanquim Amazônico. Suas obras expressivas abordam temáticas do cotidiano marabaense das décadas 1970 e 1990 e retratam atividades econômicas, festividades religiosas, fauna e lendas da Amazônia, bem como hábitos do cotidiano da população de Marabá. Lavadeira (1988), Solitário Castanheiro (1983), Barco de carregar castanha (1986), Boi Bumbá (1983) e O Pescador (1997) são exemplos de obras em que Pedro Morbach retrata suas experiências vivenciadas em sua terra natal e que contam muito a história do município de Marabá. O acesso dos estudantes a essas obras que expressam aspectos da história de seu município é relevante para a construção da identidade enquanto cidadão marabaense. Iavelberg (2003) afirma que:

“Trazer conteúdos de arte do ambiente de origem e do cotidiano dos estudantes para a sala de aula é uma boa e motivadora escolha curricular. Essa prática valoriza o universo cultural do grupo, dos subgrupos e dos indivíduos, incentiva a preservação das culturas e cria em cada um o sentimento de orgulho da própria cultura de origem e de respeito à dos outros, o que constitui condição fundamental para a construção de uma relação não-preconceituosa com a diversidade das culturas”.

“Criar um sentimento de orgulho da própria cultura de origem e de respeito aos outros”, é uma das propostas desse material pedagógico que utiliza os conteúdos da disciplina Artes Visuais para explorar o universo dos Morbachs, propondo uma reflexão crítica sobre as temáticas abordadas. O material tem como objetivo também, desenvolver as habilidades propostas pela BNCC para a disciplina Arte, visando a aquisição de competências importantes para desenvolvimento integral do educando, organizando os conteúdos para o Ensino Básico Fundamental do 6º ao 9º Ano.

Sendo assim, para os 6º Anos escolheu-se abordar as temáticas presentes nas obras dos artistas a fim de explorá-las em sala de aula dentro de uma proposta crítico-reflexiva, ressaltando a importância do trabalho artístico, e de como suas temáticas podem contribuir para a realização de discussões mediadas pela escola visando a formação de cidadãos conscientes de sua realidade, e capazes de transformá-las.

Para as turmas dos 7º Anos propôs-se explorar os principais elementos da linguagem visual presentes nas obras dos artistas, a fim de se trabalhar a leitura de imagens. Abordar esses elementos é importante para a compreensão do aluno a respeito das produções imagéticas tão presentes em nosso cotidiano e que muito refletem sobre o funcionamento de nossa sociedade, sobre a força que a imagem tem para comunicar, e sobretudo, como o sistema a utiliza para manipular as mentes, como exemplo, a indústria cultural.

Foi proposto para as turmas dos 8º Anos uma reflexão sobre o que marcou a história do município de Marabá e que foi retratado nas obras de Pedro Morbach, propondo uma análise ‘do antes e do depois’, de como a sociedade marabaense se modificou, se organizou e o que essas mudanças podem nos dizer nos dias atuais. Cabe ao educador mediar essas discussões de forma a conduzir o educando a ampliar sua visão de mundo, identificando pontos positivos e negativos que construíram a história até o momento, e ainda mais importante, refletir sobre o que pode ser feito para a construção de uma nova e melhor realidade social. O material produzido para os 9º Anos explora a temática “Patrimônio Cultural”, propondo a formação de mentes que valorizam sua história, compreendem a importância do que foi construído ao longo dos anos e que foi deixado como legado para as gerações futuras. Propõe uma reflexão de como a história se constrói produzindo riquezas culturais carregadas de memória afetiva e que muito refletem a essência de quem somos.

Neste sentido, o projeto disponibiliza este material didático para alunos e professores visando fortalecer as aulas de Artes com reflexões e práticas pedagógicas, para que atue como um instrumento na construção de uma sociedade que reflete e se torna capaz de se transformar em prol de um ambiente de conhecimento acessível para todos, visando ampliar os olhares sobre esta produção artística local e colaborar com o desenvolvimento das aulas de Arte na região que contemplem temáticas relacionadas a Arte na Amazônia.

Cinthya Marques do Nascimento 
(coordenadora do subprojeto de Artes do Residência Pedagógica – Unifesspa) 

Jucinei Ramos 
(preceptor do subprojeto de Artes do Residência Pedagógica – Unifesspa)

MEMÓRIAS

“De sorte que, trazendo do berço esse sonho, e não oferecendo uma oportunidade para vivê-lo em um centro cultural adiantado, como Belém - para não irmos mais longe - fiquei no mato, junto à Natureza. E fui barqueiro, e castanheiro: patrão também e até mesmo “perna de governo municipal”. Um vivente afinal na área da castanha, nos pedrais do rio, no descampado goiano, preservando sempre aquela tendência artística, lutando silenciosamente para transformá-la em realidade. Contei para tanto com a ajuda do meu mundo, a Natureza exuberante do meu vale imenso e verde, Tocantins - Araguaia. A gente ama profundamente os rios.”

Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).

“Olha, isso que eu faço não é nada mais, nada menos, que uma confissão. Registro o que vi na minha meninice de pés descalços e a beira-rio. A Amazônia me deu condições para pesquisar e investigar. Ganhei, lá, régua e compasso. Quero, agora, definir minhas formas e fôrmas: saber o que, no meu trabalho, vem a ser desperdício de material, de tinta e gasto de tempo.”

Pedro Morbach. (Reportagem “Amazônia Figurada”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de março de 1971).

“De estilo não entendo e isso jamais me preocupou. Se pode apontar algum, em meus trabalhos ditos de arte, ele resulta sem dúvida de um chocante contraste que me atingiu profundamente.”

Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).

“Quem mora em Belém ou São Paulo sabe dos problemas que o lavrador enfrenta para conseguir uma porção de terra. Mas não basta constatar isso, as pessoas precisam lutar contra a injustiça social em cada campo de trabalho, despertando a opinião pública sobre o assunto.”

Pedro Morbach. (Relato sobre a devastação na Amazônia, Jornal O Liberal, Belém, 24 de junho de 1987).

“Quando descobriu sua vocação para o desenho?
Vendo meu pai desenhar, para os filhos se divertirem. Quando ele não pôde um dia me atender, peguei um lápis e desenhei um animal que eu queria. E estava descoberta a pólvora.”

Augusto Morbach. (Entrevista ao jornal “A Província do Pará”, 17 de maio de 1976).

“A pintura faz parte da minha vida. Creio mesmo que eu antes de engatinhar já fazia alguns rabiscos no chão da minha trajetória. Hoje, embora não tenha seguido nem participado de nenhuma escola de artes, faço do meu trabalho um reviver das raízes culturais da minha região. Talvez a denúncia de todos esses crimes que estão sendo cometidos à sua ocupação irracional.”

Pedro Morbach. (Entrevista ao jornal Correio do Tocantins).

“O desenho me fascinou! Na beleza do corpo humano, esta criação plástica do Todo-Poderoso. Como disse, eu tinha o grande aliado para alimentar meu sonho: a Natureza. E aqui peço perdão para fazer citações (o que alguns consideram pecado, menos os incultos, como eu). Cito Shakespeare “A própria Arte é a Natureza”. Cito Zola “A Arte é a Natureza vista através de um temperamento”.

Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).

“Meu primeiro desenho foi de um camponês, eu devia ter uns seis anos. Porém, a imagem de seu perfil curvado e olhar triste ainda hoje é muito nítida em minha memória”.

Pedro Morbach.

“(...) O chão de onde vim é um chão de muita estória. Caucheiros, castanheiros e garimpeiros, barqueiros e sobretudo os pilotos do Tocantins, deixaram sagas maravilhosas que aos poucos se vão perdendo, porque aquela gleba e sua gente não resistirão à avalanche do progresso (...)”.

Augusto Morbach. (Entrevista ao jornal “A Província do Pará”, 17 de maio de 1976).

“Aprendi vendo a vida correr, com os pés no chão, observando o trote dos tropeiros, a garimpada funcionando solta (...). Nem clássicos, nem convencionais, muito menos acadêmicos: eu os quero (desenhos) simples, modestos, vitais, como eu e a angústia real que os motivou.”

Pedro Morbach. (Reportagem “Amazônia Figurada”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de março de 1971).

“De sorte que, trazendo do berço esse sonho, e não oferecendo uma oportunidade para vivê-lo em um centro cultural adiantado, como Belém - para não irmos mais longe - fiquei no mato, junto à Natureza. E fui barqueiro, e castanheiro: patrão também e até mesmo “perna de governo municipal”. Um vivente afinal na área da castanha, nos pedrais do rio, no descampado goiano, preservando sempre aquela tendência artística, lutando silenciosamente para transformá-la em realidade. Contei para tanto com a ajuda do meu mundo, a Natureza exuberante do meu vale imenso e verde, Tocantins - Araguaia. A gente ama profundamente os rios.”

Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).

“Olha, isso que eu faço não é nada mais, nada menos, que uma confissão. Registro o que vi na minha meninice de pés descalços e a beira-rio. A Amazônia me deu condições para pesquisar e investigar. Ganhei, lá, régua e compasso. Quero, agora, definir minhas formas e fôrmas: saber o que, no meu trabalho, vem a ser desperdício de material, de tinta e gasto de tempo.”

Pedro Morbach. (Reportagem “Amazônia Figurada”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de março de 1971).

“De estilo não entendo e isso jamais me preocupou. Se pode apontar algum, em meus trabalhos ditos de arte, ele resulta sem dúvida de um chocante contraste que me atingiu profundamente.”

Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).

“Quem mora em Belém ou São Paulo sabe dos problemas que o lavrador enfrenta para conseguir uma porção de terra. Mas não basta constatar isso, as pessoas precisam lutar contra a injustiça social em cada campo de trabalho, despertando a opinião pública sobre o assunto.”

Pedro Morbach. (Relato sobre a devastação na Amazônia, Jornal O Liberal, Belém, 24 de junho de 1987).

“Quando descobriu sua vocação para o desenho?
Vendo meu pai desenhar, para os filhos se divertirem. Quando ele não pôde um dia me atender, peguei um lápis e desenhei um animal que eu queria. E estava descoberta a pólvora.”

Augusto Morbach. (Entrevista ao jornal “A Província do Pará”, 17 de maio de 1976).

“A pintura faz parte da minha vida. Creio mesmo que eu antes de engatinhar já fazia alguns rabiscos no chão da minha trajetória. Hoje, embora não tenha seguido nem participado de nenhuma escola de artes, faço do meu trabalho um reviver das raízes culturais da minha região. Talvez a denúncia de todos esses crimes que estão sendo cometidos à sua ocupação irracional.”

Pedro Morbach. (Entrevista ao jornal Correio do Tocantins).

“O desenho me fascinou! Na beleza do corpo humano, esta criação plástica do Todo-Poderoso. Como disse, eu tinha o grande aliado para alimentar meu sonho: a Natureza. E aqui peço perdão para fazer citações (o que alguns consideram pecado, menos os incultos, como eu). Cito Shakespeare “A própria Arte é a Natureza”. Cito Zola “A Arte é a Natureza vista através de um temperamento”.

Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).

“Meu primeiro desenho foi de um camponês, eu devia ter uns seis anos. Porém, a imagem de seu perfil curvado e olhar triste ainda hoje é muito nítida em minha memória”.

Pedro Morbach.

“(...) O chão de onde vim é um chão de muita estória. Caucheiros, castanheiros e garimpeiros, barqueiros e sobretudo os pilotos do Tocantins, deixaram sagas maravilhosas que aos poucos se vão perdendo, porque aquela gleba e sua gente não resistirão à avalanche do progresso (...)”.

Augusto Morbach. (Entrevista ao jornal “A Província do Pará”, 17 de maio de 1976).

“Aprendi vendo a vida correr, com os pés no chão, observando o trote dos tropeiros, a garimpada funcionando solta (...). Nem clássicos, nem convencionais, muito menos acadêmicos: eu os quero (desenhos) simples, modestos, vitais, como eu e a angústia real que os motivou.”

Pedro Morbach. (Reportagem “Amazônia Figurada”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de março de 1971).

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