O projeto O Nanquim de Marabá: Patrimônio e Memória na obra de Augusto e Pedro Morbach visa colaborar com os estudos sobre Arte, Educação, Memória e Patrimônio Cultural através da apresentação da vida e obra dos artistas, pai e filho, radicados no município de Marabá, que desenvolveram suas trajetórias artísticas no estado do Pará, e que se tornaram os principais nomes do movimento que ficou conhecido como Nanquim Amazônico.
Augusto Morbach foi um artista autodidata que se tornou o precursor deste movimento no sudeste do estado do Pará. Durante a infância ele recebeu incentivo familiar para desenvolver suas habilidades artísticas, e a partir da década de 1940 passa a investir no desenvolvimento da técnica do desenho com tinta Nanquim utilizando a caneta em formato de Bico-de-pena. Posteriormente é um de seus filhos, Pedro Morbach, quem prossegue com este saber iniciado pelo pai em Marabá, passando a produzir nas décadas seguintes obras que retratam o cotidiano, e que discutem o folclore, as tradições, a religiosidade e as questões sociais relacionadas à realidade da região banhada pelos rios Tocantins e Itacaiúnas.
Surge uma produção visual inédita no sudeste do Pará e os Morbach influenciam os artistas das gerações seguintes que passam a utilizar a técnica do Bico-de-pena com a tinta Nanquim em obras que têm papel fundamental na construção das representações que compõem a narrativa visual e o imaginário desta região. Este projeto visa ampliar os olhares sobre esta produção artística local, e colaborar com o desenvolvimento das aulas de Arte na região que contemplem temáticas relacionadas a Arte na Amazônia, disponibilizando textos e conteúdos a serem utilizados como fonte de pesquisa para o público alvo do projeto – estudantes, professores e pesquisadores da área das Artes Visuais – possibilitando a troca de informações referentes à vida e obra dos artistas Augusto e Pedro Morbach.
Nesta plataforma estão sendo disponibilizados textos biográficos sobre os artistas, material didático para as aulas de Arte de 6º ao 9º ano de Ensino Básico, e os ensaios críticos dos pesquisadores convidados: Augusto e Pedro Morbach: arte, memória, história do professor Dr. Gil Vieira Costa; Marabá: Arte, Potência e Resistência da professora Dra. Marise Mokarzel; Tradição e tradução: a arte como patrimônio no (e do) cotidiano amazônico da professora Dra. Dayseane Ferraz; Pedro Morbach: de camisa aberta e pés descalços Dr. Armando Queiroz e A curadoria: um processo de narrativas sociais e educativas da professora Ms. Cinthya Marques.
Para colaborar com a elaboração de aulas que abordem a temática da Arte na Amazônia foram desenvolvidas propostas educativas através das atividades realizadas no projeto Residência Pedagógica da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará – UNIFESSPA, através do subprojeto Estágio e docência no ensino de arte: possibilidades educativas no campo da educação. Os estudantes participantes deste núcleo foram orientados pelo professor Jucinei Ramos que contribuiu na elaboração das propostas educativas disponibilizadas como material pedagógico para o Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano, visando fortalecer o ensino de Artes na região ao trazer para sala de aula artistas que dialogam com a realidade amazônica.
“De sorte que, trazendo do berço esse sonho, e não oferecendo uma oportunidade para vivê-lo em um centro cultural adiantado, como Belém - para não irmos mais longe - fiquei no mato, junto à Natureza. E fui barqueiro, e castanheiro: patrão também e até mesmo “perna de governo municipal”. Um vivente afinal na área da castanha, nos pedrais do rio, no descampado goiano, preservando sempre aquela tendência artística, lutando silenciosamente para transformá-la em realidade. Contei para tanto com a ajuda do meu mundo, a Natureza exuberante do meu vale imenso e verde, Tocantins - Araguaia. A gente ama profundamente os rios.”
Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).
“Olha, isso que eu faço não é nada mais, nada menos, que uma confissão. Registro o que vi na minha meninice de pés descalços e a beira-rio. A Amazônia me deu condições para pesquisar e investigar. Ganhei, lá, régua e compasso. Quero, agora, definir minhas formas e fôrmas: saber o que, no meu trabalho, vem a ser desperdício de material, de tinta e gasto de tempo.”
Pedro Morbach. (Reportagem “Amazônia Figurada”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de março de 1971).
“De estilo não entendo e isso jamais me preocupou. Se pode apontar algum, em meus trabalhos ditos de arte, ele resulta sem dúvida de um chocante contraste que me atingiu profundamente.”
Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).
“Quem mora em Belém ou São Paulo sabe dos problemas que o lavrador enfrenta para conseguir uma porção de terra. Mas não basta constatar isso, as pessoas precisam lutar contra a injustiça social em cada campo de trabalho, despertando a opinião pública sobre o assunto.”
Pedro Morbach. (Relato sobre a devastação na Amazônia, Jornal O Liberal, Belém, 24 de junho de 1987).
“Quando descobriu sua vocação para o desenho?
Vendo meu pai desenhar, para os filhos se divertirem. Quando ele não pôde um dia me atender, peguei um lápis e desenhei um animal que eu queria. E estava descoberta a pólvora.”
Augusto Morbach. (Entrevista ao jornal “A Província do Pará”, 17 de maio de 1976).
“A pintura faz parte da minha vida. Creio mesmo que eu antes de engatinhar já fazia alguns rabiscos no chão da minha trajetória. Hoje, embora não tenha seguido nem participado de nenhuma escola de artes, faço do meu trabalho um reviver das raízes culturais da minha região. Talvez a denúncia de todos esses crimes que estão sendo cometidos à sua ocupação irracional.”
Pedro Morbach. (Entrevista ao jornal Correio do Tocantins).
“O desenho me fascinou! Na beleza do corpo humano, esta criação plástica do Todo-Poderoso. Como disse, eu tinha o grande aliado para alimentar meu sonho: a Natureza. E aqui peço perdão para fazer citações (o que alguns consideram pecado, menos os incultos, como eu). Cito Shakespeare “A própria Arte é a Natureza”. Cito Zola “A Arte é a Natureza vista através de um temperamento”.
Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).
“Meu primeiro desenho foi de um camponês, eu devia ter uns seis anos. Porém, a imagem de seu perfil curvado e olhar triste ainda hoje é muito nítida em minha memória”.
Pedro Morbach.
“(...) O chão de onde vim é um chão de muita estória. Caucheiros, castanheiros e garimpeiros, barqueiros e sobretudo os pilotos do Tocantins, deixaram sagas maravilhosas que aos poucos se vão perdendo, porque aquela gleba e sua gente não resistirão à avalanche do progresso (...)”.
Augusto Morbach. (Entrevista ao jornal “A Província do Pará”, 17 de maio de 1976).
“Aprendi vendo a vida correr, com os pés no chão, observando o trote dos tropeiros, a garimpada funcionando solta (...). Nem clássicos, nem convencionais, muito menos acadêmicos: eu os quero (desenhos) simples, modestos, vitais, como eu e a angústia real que os motivou.”
Pedro Morbach. (Reportagem “Amazônia Figurada”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de março de 1971).
“De sorte que, trazendo do berço esse sonho, e não oferecendo uma oportunidade para vivê-lo em um centro cultural adiantado, como Belém - para não irmos mais longe - fiquei no mato, junto à Natureza. E fui barqueiro, e castanheiro: patrão também e até mesmo “perna de governo municipal”. Um vivente afinal na área da castanha, nos pedrais do rio, no descampado goiano, preservando sempre aquela tendência artística, lutando silenciosamente para transformá-la em realidade. Contei para tanto com a ajuda do meu mundo, a Natureza exuberante do meu vale imenso e verde, Tocantins - Araguaia. A gente ama profundamente os rios.”
Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).
“Olha, isso que eu faço não é nada mais, nada menos, que uma confissão. Registro o que vi na minha meninice de pés descalços e a beira-rio. A Amazônia me deu condições para pesquisar e investigar. Ganhei, lá, régua e compasso. Quero, agora, definir minhas formas e fôrmas: saber o que, no meu trabalho, vem a ser desperdício de material, de tinta e gasto de tempo.”
Pedro Morbach. (Reportagem “Amazônia Figurada”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de março de 1971).
“De estilo não entendo e isso jamais me preocupou. Se pode apontar algum, em meus trabalhos ditos de arte, ele resulta sem dúvida de um chocante contraste que me atingiu profundamente.”
Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).
“Quem mora em Belém ou São Paulo sabe dos problemas que o lavrador enfrenta para conseguir uma porção de terra. Mas não basta constatar isso, as pessoas precisam lutar contra a injustiça social em cada campo de trabalho, despertando a opinião pública sobre o assunto.”
Pedro Morbach. (Relato sobre a devastação na Amazônia, Jornal O Liberal, Belém, 24 de junho de 1987).
“Quando descobriu sua vocação para o desenho?
Vendo meu pai desenhar, para os filhos se divertirem. Quando ele não pôde um dia me atender, peguei um lápis e desenhei um animal que eu queria. E estava descoberta a pólvora.”
Augusto Morbach. (Entrevista ao jornal “A Província do Pará”, 17 de maio de 1976).
“A pintura faz parte da minha vida. Creio mesmo que eu antes de engatinhar já fazia alguns rabiscos no chão da minha trajetória. Hoje, embora não tenha seguido nem participado de nenhuma escola de artes, faço do meu trabalho um reviver das raízes culturais da minha região. Talvez a denúncia de todos esses crimes que estão sendo cometidos à sua ocupação irracional.”
Pedro Morbach. (Entrevista ao jornal Correio do Tocantins).
“O desenho me fascinou! Na beleza do corpo humano, esta criação plástica do Todo-Poderoso. Como disse, eu tinha o grande aliado para alimentar meu sonho: a Natureza. E aqui peço perdão para fazer citações (o que alguns consideram pecado, menos os incultos, como eu). Cito Shakespeare “A própria Arte é a Natureza”. Cito Zola “A Arte é a Natureza vista através de um temperamento”.
Augusto Morbach. (Jornal A Província do Pará. Matéria “Artista dos Castanhais e Pedrais do Tocantins”, 1976).
“Meu primeiro desenho foi de um camponês, eu devia ter uns seis anos. Porém, a imagem de seu perfil curvado e olhar triste ainda hoje é muito nítida em minha memória”.
Pedro Morbach.
“(...) O chão de onde vim é um chão de muita estória. Caucheiros, castanheiros e garimpeiros, barqueiros e sobretudo os pilotos do Tocantins, deixaram sagas maravilhosas que aos poucos se vão perdendo, porque aquela gleba e sua gente não resistirão à avalanche do progresso (...)”.
Augusto Morbach. (Entrevista ao jornal “A Província do Pará”, 17 de maio de 1976).
“Aprendi vendo a vida correr, com os pés no chão, observando o trote dos tropeiros, a garimpada funcionando solta (...). Nem clássicos, nem convencionais, muito menos acadêmicos: eu os quero (desenhos) simples, modestos, vitais, como eu e a angústia real que os motivou.”
Pedro Morbach. (Reportagem “Amazônia Figurada”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 de março de 1971).
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